O senhor Arlindo trabalha todos os dias. Quando
o restaurante A Mourisca, a esquina da Fontes Pereira de Melo com a Andrade
Corvo, está fechado, ele muda o ponto para o Forno e Fogão, restaurante mais
próximo. Pela manhã, bem cedo, lá está
ele com seu fato-macaco azul escuro,impecavelmente limpo e engomado, à espera
dos primeiros clientes. Bancários, empregados do comércio, vendedores, escriturários
e pessoas a procura de emprego. Estava eu a observar sua cabeça branca ao rés
das mesas que alternava agilmente quando,como que por pressentimento, seus
olhos se erguem para a porta de entrada onde um homem de meia idade,
elegantemente vestido, com ar tranquilo de executivo bem sucedido, que contrastava
com a maioria dos que ali estavam, parado, a olhar carinhosamente para o senhor
Arlindo que ao vê-lo, esgueira-se por entre os clientes. Abraçam-se
carinhosamente, trocam beijos e algumas palavras e despedem-se com mais beijos.
O empregado de mesa,ao perceber que eu os observava com curiosidade, diz-me e
tom baixo:
- É seu
filho.
- E fazia
muito tempo que eles não se viam? – perguntei como que a perceber a razão de
tanto carinho.
- Não.
Isso é todo dia.
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